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O poder da inteligência humana no uso da Inteligência Artificial
Existe uma grande diferença entre usar Inteligência Artificial e obter retorno eficaz com ela. E isso não se resume a fazer bons prompts. A IA pode nos fornecer uma quantidade inimaginável de informações. Dados que são capazes de, realmente, transformar nosso negócio. O problema mora, exatamente, em como estruturar essas informações.
Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), divulgado ano passado, apontou que 95% dos investimentos em inteligência artificial não geram retorno financeiro. Empresas, mundo afora, gastam bilhões em projetos de IA generativa, mas apenas 5% transformam as informações em ganhos reais.
Essa estatística, muitas vezes desconsiderada na mesa de decisões, é alarmante, principalmente sob a ótica do agronegócio, um setor que busca na inovação a chave para a sustentabilidade, produtividade e a competitividade. Não se trata de questionar a capacidade da Inteligência Artificial, mas sim a forma como a estamos implementando. A questão não é se a IA funciona, mas como a integramos em uma estratégia que realmente transforme dados em inteligência e margem, sem cair na armadilha de um "amuleto tecnológico" desprovido de base e direcionamento.
O caminho para resgatar o verdadeiro potencial da IA no agronegócio passa por uma compreensão mais profunda de três pilares interconectados: a IA como ampliação da capacidade humana e não como uma substituição mágica, pronta para resolver todos os problemas; a estruturação correta desses dados, pois a desestruturação mata a eficiência da IA; e o grande desafio, que é a redução de custos e ampliação das apertadas margens do agronegócio.
A IA deve ser encarada como uma ferramenta que nos auxilia a fazer mais e não menos. É uma era da ampliação. Zero mais zero continua sendo zero. A equação perfeita é IA + Humanos = potencial infinito." Isso significa que o sucesso da IA é diretamente proporcional à capacidade crítica e ao "repertório" das pessoas que a utilizam.
No agro, a IA deve liberar agrônomos, gestores e operadores técnicos para o que realmente importa: a criatividade na resolução de problemas complexos, a empatia com as equipes e com o meio ambiente, e a imprevisibilidade necessária para encarar uma realidade em constantes mudanças. Sem a inteligência humana para guiar, interpretar e refinar, os algoritmos mais avançados são apenas códigos sem sentido. Só este movimento pode reduzir em até 30% os problemas enfrentados no dia a dia. Manter a disciplina na gestão desses dados é outro aspecto essencial para qualquer empresa agrícola que deseja colher os frutos da IA.
Para os decisores do agronegócio, o grande desafio para este e próximos anos será transformar o investimento em IA em uma estratégia consciente e que seja revertido em uma colheita de resultados eficientes.
David Reis, gerente da Brid Soluções